sábado, 27 de agosto de 2022

Não há título para a saudade

 Alice:- “Receio nunca mais vê-lo”.

Chapeleiro: - “Nos jardins da memória, no palácio dos sonhos, lá vamos nos encontrar.”

Alice : - “Mas um sonho não é realidade..”

Chapeleiro: “Quem pode dizer qual é qual?” 

(Alice através do espelho)

sábado, 11 de junho de 2022

DANDO NOME AOS GATOS

 


Dar nomes aos gatos não é tarefa fácil, decerto...

    Não é como um desses jogos que passam em sua mente

Você deve até pensar que eu já não sou muito certo

    Quando te digo, um gato deve ter TRÊS NOMES DIFERENTES

Primeiro há o nome como os que em casa se usam

    Como Paulo, Rodolfo, Manoela ou Anamaria

Tal como Wilson ou Francisco, Cinthia ou Susan

    Todos sensatamente nomes do dia-a-dia

Há outros, se você achar que soem mais ternos

    Uns para os cavalheiros, outros para as damas

Tais como Plato, Admetus, Electra, Demetrius

    Mas todos sensatamente nomes em poucas semanas

Mesmo assim acho que um gato precisa de um nome particular

    Um nome que lhe seja peculiar, mais que digno de uma rima

Senão, como ele irá deixar o seu rabo perpendicular

    Ou ajeitar os seus bigodes e assim manter a sua estima?

De nomes como esses eu posso te dar uma lista

    Tais como Munkustrap, Quaxo, ou Coricopato

Talvez Bombalurina, ou Jellylorum já te dê uma pista

    Nomes que nunca pertencem a mais de um gato

Mas entre esses há um outro ainda por vir

    E esse nome eu sei que você não irá adivinhar

Um nome que nenhum cientista poderá descobrir

    Que SÓ O SEU GATO SABE, mas que jamais irá confessar

Quando você perceber o seu gato em estado de meditação

    A razão disso eu te falo é sempre a mesma, vê se pode:

A sua mente está ocupada numa elevada contemplação

    Do pensar no pensar do pensar de seu nome:

          É o seu inefável efável

          Efaninefavelmente

O seu profundo, inecoável e singular nome.


T. S. Eliot

sábado, 23 de abril de 2022

Delicadezas

 "E amei-te sem saberes

amei-te sem o saber

amando de te procurar

amando de te inventar

.

Para me acostumar

à tua intermitente ausência

ensinei às timbilas

a espera do silêncio"

.

- Mia Couto.

domingo, 10 de abril de 2022

Homeopatia cotidiana n°13

 Aquele teu chaveiro escrito love...

Rita escutava músicas aleatórias no rádio do carro e, ao acaso, (como costuma ser com as coisas boas da vida) ouve "Eu dedico essa música à primeira garota que está sentada ali na fila". 

Lembra o dia em que no bar, hoje já não mais na ativa (como muitas coisas do passado), deu aquele beijo apaixonado e pueril em Rubens. Onde andaria Rubens? E os outros? Selene, Calíope, Cláudio, Mirno? Aquela turma toda que sempre andavam juntos?

Bom, andou lendo algumas coisas de Rubens pela Internet, (algo que nem imaginavam que iria funcionar da maneira que é hoje). Sabia que Selene tinha tido um lance com Rubens. Era trabalho e também sexo. Editava algumas coisas dele. Era trabalho e também sexo... mas parecia ser algo a mais. Eles se entendiam muito bem, parecia, muitas vezes, que só pelo olhar. Não entendia o motivo de não terem passado daquilo, olhares que se entendiam... 

Calíope,a tinha visto uns anos atrás, quase virando freira da igreja católica. Como as coisas, com ela, chegaram nesse ponto? Uma linda e sexy ruiva... Sempre com o colar que Cláudio havia trazido do Egito pra ela, (dizia ele que tinha ido buscar na tumba de um faraó. A gente ria disso).   O que, dentro dela, em sua psique a fez seguir o caminho da rigidez católica? Será que recebeu uma iluminação?Uma mensagem cifrada, só por ela entendida? Quem é que um dia entenderá as opções e destinos de cada um?

Mirno havia desistido do amor. Depois que Selene  apaixonou-se  por Cláudio e inevitavelmente tiveram um caso, desistiu. Encontrou uma dentista balzaquiana passada e se encostou. Sempre com a necessidade de vida tranquila e segura, mas, que ele mesmo não havia feito nenhum esforço pra conquistar. Achou a tal dentista e foi-se. Até filhos teve. Que era pra garantir ainda mais a segurança financeira que a tal dentista lhe proporcionava. 

Cláudio, ah... Cláudio. Nunca mais havia visto. Nem tido notícias. Sumiu do mapa. Onde andaria Cláudio?

sexta-feira, 8 de abril de 2022

MDC

 O passado.

Ah, as lembranças...

23:30 Paulistânia fechado. 

Provavelmente falido.

Um passado que não deu certo. 

Como eu.

Como você.

segunda-feira, 7 de março de 2022

À musa


Quanto, à noite, espero a tua chegada,

a vida me parece suspensa por um fio.

Que importam juventude, glória, liberdade,

quando enfim aparece a hóspede querida

trazendo nas mãos a sua rústica flauta?

Ei-la que vem. Soergue o seu véu,

olha para mim atentamente.

E lhe pergunto: “Foste tu quem a Dante

ditou as páginas do Inferno?”. E ela: “Sim, fui eu”.


Anna Akhmátova


Tradução de Lauro Machado Coelho

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Devaneios

 Mistério sempre há de pintar por aí e agora eu era inglês e meu cavalo só falava herói.

Todos iguais. Que eu, que dois, que dez, que dez milhões. Vem, me de a mão que a gente nem tinha nascido para sentir medo.