sexta-feira, 22 de julho de 2016

Ela, sozinha, a beber a cerveja que esperava beber com ele. Mas ele já não era ele. Era outro. Era o que o tempo fez dele. Mas ela, sonhadora, nutria esperanças. Não percebera as traças a corroer-lhe a corda do tempo, o fio da vida. Envelhecera. Mas sua alma não. Era alma de moleca. Moleca sonhadora. Não percebera a risada de escárnio e desdém daquele que, um dia, de tão querido, disse que amou. A sua molequice a protegeu do choro. Foi embora e dormiu o sono dos inocentes e puros de coração. Acordou e nem lembrou do bolo que levou. Foi fazer suas molecagens e ser feliz.

terça-feira, 22 de março de 2016

E nós?

Você vem quase todos os dias ao mesmo lugar. Vem confirmar algo que já sabe. Não estarei mais por aqui. Nossos relógios se desencontram, nossos calendários divergem em crenças e datas. O dia esperado já foi, o que passou, ainda virá... E nossas folhinhas nunca se encontrarão... E nós?

sábado, 21 de novembro de 2015

Veja bem

Talvez eu não chore, mas dói.

Viagens no tempo ou ponto de convergência.

Sempre irei te amar. Mesmo que eu não consiga definir, explicar o significado disso. Você está comigo em muitos momentos, sempre dando sua opinião,seu olhar, seus palpites mudos. Sua presença me é tão familiar, tão comum que muitas das vezes passa batido. Mas está sempre. Como não conseguimos mudar a ordem dos acontecimentos? Qual foi o erro? Ou erramos e arrumamos e agora está tudo certo? Foi a melhor alternativa, afinal? Como saberei? Como saberemos? Qual eu virá me esclarecer, o futuro, o passado? Quantas vezes a história se modificará? Quantas vezes, por maior que seja nosso esforço, o final será o mesmo?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A velocidade em que nos tornamos amargos

Quem imaginaria tudo isso? Quem imaginaria esse futuro que virou presente tão rápido? Éramos felizes desocupados, ocupados em sonhar o porvir. Agora nem mais dormimos, drogas nos hipnotizam e fechamos os olhos até o outro dia. Um sono artificial. É isso que temos. E se alguém nos houvesse contado, nos alertado para o mau agouro iminente? Prestaríamos mais atenção? Deixaríamos tudo isso acontecer? Seria possível tudo isso não ser realidade? Aliás, qual é a realidade? Vivemos e morremos pelo quê? Limpamos e sujamos diariamente. Diariamente comemos e tudo vira merda em menos de 24 horas. Compramos e nos desfazemos das coisas num ciclo sem fim. Tudo é tão veloz e sem sentido... Deveríamos contar aos que vêm? Ou deixamos que se ferrem também? De que valeria? Dariam-nos crédito? Ou seríamos classificados como velhos tolos e amargos? Aliás, somos velhos tolos e amargos?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Quem a enfrenta?

Ulisses, por onde andas? Ass. Circe

A verdade a ver navios

Amado meu, Não sou a bela Perséfone, mas, ainda assim, fio bem. Tramo toda nossa história, nosso mito. Sei bem que Calíope torce por mim. Quando nos lê, é comigo com quem deseja que fiques. Porém, bem sei das saudades suas... Sua Ítaca lhe espera e tu mesmo, esperas por ela e os seus. Lhe darei possibilidades para que construas sua embarcação. Preferes, à imortalidade. Contudo, quem agora fia a lhe esperar, sou eu. Venha. Lembre-se: defronte ao Gibraltar.