Mistério sempre há de pintar por aí e agora eu era inglês e meu cavalo só falava herói.
Todos iguais. Que eu, que dois, que dez, que dez milhões. Vem, me de a mão que a gente nem tinha nascido para sentir medo.
Devaneios de uma garota nonsense.
Descobrir segredos; desfazer esquemas; passear por todas as dimensões; transformar o difícil em fácil.
Mistério sempre há de pintar por aí e agora eu era inglês e meu cavalo só falava herói.
Todos iguais. Que eu, que dois, que dez, que dez milhões. Vem, me de a mão que a gente nem tinha nascido para sentir medo.
Eu.
Tão sem razão quanto significado.Tu me suicidas, tão docilmente.
Eu te morrerei, porém, num dia.
Eu conheceremos essa mulher ideal
e nevarei lentamente sobre sua boca.
E choverei na certa mesmo que eu entardeça,
mesmo que eu faça bom tempo.
Nós amareis tão pouco nossos olhos
e cairá esta lágrima sem
razão, certamente, e sem tristeza.
Sem.
Robert Desnos
Na porta de casa, um pacote sem remetente.
Apenas um encadernado com o bilhete:
"Esse caderno:
um punhado de subpartículas de um mundo em decaimento;
um álbum de instantâneos da Lua vista pelo gato;
uma mancheia de confetes de kryptonita."
(...)
Somos a resposta exata do que a gente perguntou
Entregues num abraço que sufoca o próprio amor...
A lua veio à forja
com sua anquinha de nardos.
O menino a olha, olha.
O menino está olhando-a.
Lá no espaço comovido
a lua move seus braços
e exibe, lúbrica e pura,
seus seios de duro estanho.
– Foge lua, lua, lua.
Se chegassem os gitanos,
com teu coração fariam
anéis brancos e colares.
– Menino, deixa que dance.
Quando os gitanos chegarem,
te acharão sobre a bigorna
com os olhinhos fechados.
– Foge lua, lua, lua,
que já ouço seus cavalos.
– Menino, deixa-me, não pises
minha brancura engomada.
O ginete se acercava
tocando o tambor do chão.
Dentro da forja o menino
tem os olhos fechados.
Vinham pelo oliveiral
os gitanos, bronze e sonho.
As cabeças levantadas
e os olhos semicerrados.
Como canta ali o bufo,
ai, como canta na árvore.
Pelo céu a lua segue
de mãos dadas com um menino.
Lá dentro da forja choram,
dando gritos, os gitanos.
O ar a vela, vela.
O ar a está velando.
Federico Garcia Lorca
A pandemia,
Antes tão desgraçadamente cruel,
Que colocou-nos trancados em casa
E dentro de nós mesmos,
Está pelo fim.
Não mais terei minhas tardes de devaneios,
Minhas madrugadas (a melhor hora) de criação.
Terei que voltar ao chato mundo real. Mundo esse, cheio de obrigações, compromissos e gente intragável.
Não mais poderei escolher minhas companhias de acordo com afinidades. O mundo do trabalho, o mundo adulto, o mundo sério, me faz ter que conviver.
Conviver com a insuportável gente "madura e responsável".
Terei que voltar a fingir ser uma "normal".
Não mais poderei me deleitar com uma tarde vazia e uma rede.
Parece-me que Delírio aceitou não encontrar seu irmão Destruição. Deixou a busca em segundo plano.
Tudo volta ao normal, então.
Mas Delírio continua comigo, pois o tempo voa e, mais que isso, o tempo quebra.
Tempus frangit